domingo, 29 de março de 2009

boemia

No fundo do bar, esperando a bebida chegar.
nefelibatas.
um brinde a total loucura do destino.



'Sei que vão dizer
Que não adianta olhar
Pois acabou de passar dos 16
Mas olha só o jeito dela dançar
Sem nem ligar se vão notar
Sorri e fecha os olhos
Sabe que é a musa soberana nesse bar
Menina singular
Olha só
O seu perfume no ar
Maquiada com ar
De quem sofreu por amor
E não quer mais se entregar
Espera o tempo passar
E até já dizem por aí
Que ninguém vai conseguir se aproximar
Que o lápis no seu olho é pra afastar
Quem não quiser te ver feliz
Vou ficar até a festa acabar
Só pra ver se ela vai olhar pra mim'

Disseram que era pra mim,
beijos!

terça-feira, 24 de março de 2009

minha inspiração




Se deliciar é sentir o prazer de evoluir em cada gesto, ato, e no final do dia poder dizer que tudo valeu a pena.
Estou me deliciando aos poucos, com poucos, por poucos. E cada vez mais.


Ontem foi um desses dias.
Meu pai estava ouvindo um cd grego no carro, perguntei quem estava cantando.
'Savopoulos filha, um Maoista grego, cigano.' e me traduziu algumas de suas letras.
Incríveis, posso até dizer que era o punk rock anarquista dos anos 60 para ele.
'Sabe filha, eu era ativista nessa época. Lembro de quantas noites em claro já passei discutindo com outros ativistas sobre governo, leis não cumpridas. Quantas vezes já não voltei pra casa todo roxo de cassetadas dos policiais.' Eu vi seus olhos brilhando, aquela música lembrava uma vida inteira, que agora ele olha de longe.
'Hoje eu tenho orgulho de dizer que não me entreguei a nada disso, que perdi o que perdi por causa dos meus valores, nada foi em vão. Mais hoje não posso mais, tenho vocês, tenho que voltar às 8 e meia da noite para jantar e acordar às 7 para levar vocês pra escola, hoje luto com as palavras, e só.'
Nunca vi meu pai ser tão verdadeiro comigo, cada palavra!
E se antes eu tinha um medo enorme de envelhecer, perder todas as morais, os valores, me entregar, ele me provou o contrário. Provou que envelhecer é ver as conquistas adquiridas na vida, olhar para trás e ver que tudo valeu a pena.
Se deliciar.

Se deliciem a cada dia! para poderem olhar pra trás e não dizer que o tempo passou, mas sim que
ficou, e o fez ser quem você é!

'every generation imagines itself to be more intelligent than the one that went before it and wiser than the one that comes after it'


;)

domingo, 22 de março de 2009

Aparências

As luzes dilatando as pupilas dos que permanecem por lá. Letreiros cobertos pela noite que surgiu sem nem ao menos perceberem, era o cansaço, talvez.
Uma atípica sexta-feira a noite, e lá estão, os dois sentados, pernas cruzadas e cabeças encostadas à parede. Tudo em volta é nada.
Ela parece meio distante, cabeça em outro lugar, enquanto desvia mãos e rosto dos carinhos dele, de seus olhos, de sua face.
O tempo passa, mas para os dois é atemporal, os ponteiros do relógio estão e sempre foram embaçados para eles.
Ela levanta, tão rapidamente e irracionalmente que o deixa falando sozinho, seu corpo se levantou por vontade própria. Suas pupilas continuam dilatadas, mas não é a luz a causa agora.
O sal da água escorre pela face que sorria há algumas horas, poucos percebem a agitação da garota, que é acalmada pelo cinza da rua, do poste, da razão. Ela acordou.
Ele vai até ela e tenta a abraçar, em vão. A olha, em vão. A tinha, em vão.
Seus olhos dizem o que sua boca a impede, a decepção.
Ele se cala, desiste de fazê-la entender, não percebe que ela já entendeu. Seus olhos não se cruzam mais. Um 'boa noite' falso sai com dificuldade de sua boca, ambos sabem que a noite não vai ser boa. Ela tenta se afastar, mas não consegue.
E os dois vão embora juntos, mas dessa vez, cada um segue seu rumo de casa.
E quem os vê percebe que dessa vez há algo errado. Atípico.




FAZ TEMPO QUE EU NÃO TINHA UM SÁBADO ASSIM, TÃO PERFEITO!
Parabéns RafaelaO'KonorsEfstathiadis . ♥

sexta-feira, 13 de março de 2009

eu uso óculos.

Em meio a céticos, individualistas, niilistas e descrentes, de visão perfeita,
enxergam tudo menos o mundo.
E eu aqui, usando óculos.




Hoje passei a tarde com alguém que me faz tirar os óculos escuros, mostrar a cor de meus olhos.

Carpe diem!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Para nós

Mulher.
o feminino, sensível e inatingível.
Frágil e forte; de sexo, de raça e dor.
Eu, mulher. Sem os cabelos, sou nada. Sem o sal da boca, sou nada.
Sem seus braços, eu caio. Com os meus, levanto.
E vou à luta, e cuido da casa, e queimo sutiãs, e volto sozinha, em paz.
Meio menina, meio mulher.
Quero o selvagem, as marcas, os arranhões.
Quero o consolo, o abraço, o dormir em seu peito, sentir-me sua.
Mesmo sendo de ninguém.
Menina , mulher.



FELIZ DIA DAS MULHERES, ATRASADO.
beijos gatas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Três horas da manhã.
eu bebo,
ele é quem vomita.
eu danço em uma sala escura,
ele rezando para que eu esteja no claro.
ele vestindo suas calças,
e eu tirando as minhas.
ele pensando em mim,
e eu não pensando em nada.
ele liga,
pergunta se estou bem.
Ingênua, respondo que sim.
mentiras à parte:
eu viro um,
dois,
três.
ele disse eu te amo,
e eu respondi goodbye.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

escrevendo no lugar onde tudo começou,
agora percebi o porque de querer tê-lo ao meu lado exatamente aqui:
seu abraço me passa uma segurança que nenhum outro já passou.
E me calo quando me pergunto o que estou fazendo aqui, com ele.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

let the spring come

As vezes o presente se delicia ao voltar e remexer as lembranças do passado.
Buscar aquelas mais guardadas, nas quais você não havia dado importância no momento, e que por um motivo ou outro vieram-lhe a memória como uma bomba.
Forçam-lhe a sentir o gostinho do que ficou pra trás.
Você pode apagar quantas flores forem, mas sua primavera nunca se vai.
E aquelas que sobram insistem em exalar seu perfume.
E por que gostamos tanto de voltar atrás?
Lembrar do que foi dito e feito, as vezes dito e não feito, outras vezes não dito e não feito.
Os erros nos fortalecem, e as lembranças nos fazem ser aquilos que somos e vivemos aqui e agora. Nossos próprios jardins.
Apenas cuidado com os espinhos.



Inspiração em: Djavan+frase de rua+3 meses atrás.

Praia delicinhaa, quero mais!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

virada

Indo viajar.
ler uns livros, pegar uma cor, revigorar!
Aprender, crescer, voltar melhor!
Abandonar os problemas (como faço sempre) para voltar e enfrentá-los mais forte ainda.
Eu sei, eu errei.
E as consequências tão vindo como uma sequência de socos no estômago, não aprendo!
Mas como dizem é ano novo, vida nova, e as mudanças vêm aos poucos.
E se o tempo em que eu ficasse olhando o mar resultasse em aprendizagem acho que só voltava no final do ano que vem!
Curtam ao máximo o fim de ano e façam como eu, revigorem-se.
Um brinde.

'-hello?
-it's, it's me..
-yeah, so?
-i made a huge mistake
-yeah, u did.'
i think it's time to say i'm sorry.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Daria tudo por um fim de ano com a família na Grécia.
Acho que agora é a hora que todos precisamos de todos.
Valorizem sua família!
Seu caráter, sua personalidade, você, foram construídos por eles, eles são parte do que você é!
ανεξήγητα έλλειψη σας

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

mate-me, por favor




Aquele apartamento fétido exalando um mal cheiro de vômito, típico dos presentes no local.
Presentes só de corpo, sua consciência fora levada pela mistura de bebidas, cigarros, speeds e metadonas. A adrenalina percorre suas veias levando-os à loucuras, vidas podres e fracassadas viram reis e rainhas da noite no momento em que se entregam à toda essa mistura.
Quartos ocupados por três amantes, sala e cozinha invadidas por corpos suados gritando e cantando ao som da música de 3 acordes e guitarra retorcida, outros mais sóbrios conversando sobre existencialismo ou qualquer outro assunto que conforte sua realidade.
Mas nenhum, nenhum comenta quem é ou o que faz quando o dia vem, e não faz questão de lembrar. Anônimos.
Amanhece, os que acordam pegam suas poucas coisas e se mandam antes que notem, e os que continuam dormindo preferem não acordar.



Baseado em Please Kill Me.
Na festa do 'assassinato' de Nancy Spungen
Beeesos!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

você me deixa assim, sem saber o que fazer.
pernas bambas e respostas vagas, é a minha maior reação, quando estou com você.
Quem diria que estaria escrevendo na palma de sua mão palavras que ficam presas em minha boca?

Uma boa noite de sexta para todos, porque a minha foi ótima.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

individual

Faz alguns dias que essa vasta monotonia invadiu o meu quarto.
cobre-me lentamente.
Faz alguns meses que o consumismo vêm me devorando,
e estou cedendo membro a membro.
Faz alguns anos que esqueci o tom da tua voz.
a distância nos ensurdece.
Faz algum tempo que me olho no espelho e não vejo algum reflexo.
insípida, inodora e incolor.


Temos que nos aproveitar mais a cada dia,
a vida é curta e não te espera sair do sofá!
Enjoy ;)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

nefelibata
essa excentricidade ainda me mata.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O gosto daquela boca misturado com pernas dormentes.
Prazer e satisfação em seu lado no fim do dia, após tantas provas de cores e tamanhos e pra cima e pra baixo naquele vaivém.
Nossos corpos suados, olhares cansados e um te amo para completar.
Quem diria que iria ser tão satisfatório, tão bom.

Como pode-se concluir é óbvio que fomos fazer compras na Augusta nesta tarde.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

tormentas pt.II



preocupação:
pre.o.cu.pa.ção
do latim: praeoccupatione
1 Ato de preocupar ou de se preocupar. 2 Estado de um espírito absorvido por uma idéia.
3 Idéia fixa. 4 Inquietação resultante dessa idéia. 5 Apreensão de coisa futura; pressentimento inquietante. 6 Opinião antecipada; prevenção.

Ficar de bobeira com os amigos no quarto, se arrumar, pôr seu melhor perfume e sair para tomar uma breja nesse tempo indefinido, que não se decide entre um calor abafante ou uma chuva densa que dura até o cair do dia. Rever pessoas inesperadas enquanto conversa com mentes abertas que acabou de conhecer. Olhar para o relógio e ver que felizmente o tempo não passa, e a conversa dura horas. Voltar para casa e se despedir com um sorriso meio amarelo, pensando em cair na cama. Assistir a um filme em consequência da falta de sono e esperar, esperar uma ligação.
De nada vale se sua cabeça está em outro lugar.
Comprovado.

De nada vale ser paciente se torna-se descrente.

Igualmente comprovado.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

tormentas

Estamos aqui parados, em um calor suportante que alarma o início do verão.
Seus olhos me atravessam enxergando todo meu interior, me decifrando em cada detalhe.
Ele sabe a verdade, sabe dizer até melhor que eu o que estou sentindo neste momento. E que por não mera coincidência era exatamente o mesmo que ele.
Me segura como se fosse completamente sua, e sou, e morde meus lábios como que isso fizesse sumir todas minhas dúvdas, e sumiram.
Todos a nossa volta somem como se ali presentes só estivéssemos nós dois, a tarde inteira.
Me abraça forte e o sinto tremer, toda sua segurança que há segundos atrás exalavam confiança se perdem ao me tocar. E sinto o mesmo.
A água da fonte que há a poucos passos alivia o calor ao tocar minhas costas, acordo.
Caminhamos por dentro das árvores, sentamos, seu olhar continua distante, tornando minha presença insignificante, reluto para achar o que o aflinge, ele cala.
O silêncio que magoa me faz facilmente perceber:
agora sou a menor de suas preocupações.

sábado, 29 de novembro de 2008

atrás, pra trás

valores perdidos com o tempo deixados
de lado atrás pra trás, vividos em tempos
em que escolhas não eram opção e sim
cópia, obrigação.

tardios, atrasados, tachados de antiquados
agora é como são retratados os que viveram na pele
toda repressão.



ahh escrevi qualquer coisa,
mais hj não importa pq é sábadooo!
bjs.


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

-espera por alguém, senhora?

Lá estava ela, sentada na mesa mais próxima à rua daquele bar.
Olhava em volta, todas as cadeiras ocupadas, exceto as de sua própria mesa.
Usava todos os sinais: blusa meio desabotoada, brincos, fingindo ler um volume de 'Os Pensadores' com seus óculos de leitura vermelhos, cabelos meio presos meio soltos, com as pernas cruzadas. Era óbvio que queria alguém.
O lugar estava cheio, repleto de casais, moças à procura, homens a caça, e ela.
Ela, tão sozinha como se não houvesse viv'alma no local.
Pediu seu martini seco, de meia em meia hora olhava em volta para ver se alguém notava sua presença, se aproximasse e enfim puxasse um papo. É, uma boa conversa lhe cairia bem neste momento:
'Os pensadores? estou lendo o 4º volume.' Com um sorriso encantador naquele rosto masculino.
'Ah, comecei agora, mas ..'
Sua frágil imaginação é iterrompida pelo garçom:
- a bebida sra.
-Senhora?
Não adiantava nem discutir, gastar saliva com mais uma de tantas discussões que teve por essa falta de atenção alheia:
-Não vê que só tenho 26 anos?
Não, ele não vê, nem ninguém.
A quem ela queria enganar?Alguém como ela, na idade mais propícia, com traços de velha.
Olheiras de cansaço devido à carga horária de seu emprego, uma pele não tão saudável devido à falta de exercícios físicos, uma mente brilhante, porém um corpo com cara de mais de trinta.
Sozinha.
O bar quase fechando, e novamente vai guardando seu livro e se levantando da mesa, lutando para ficar só mais alguns minutos.
De que lhe adiantariam mais alguns minutos se já gastou toda sua noite por lá? Ela acredita.
Acredita que mais cedo ou mais tarde, alguém a virá buscar.