sábado, 30 de maio de 2009

Amargamente

Ga era descrente, sorria sem vontade. Vivia com tudo, por nada.
Andava não, rebolava. Atraía os olhos de quem passava. Dançava.

Batom na boca, batom que marcava a muitos, mas que saía na primeira lavada.
Continuava a sorrir.

Quantas juras de amor não ouvía?
-amar, Ga.
-amar - Ga mente.

Era toda rebuliços, saía, comprava, descomprava.
Um belo par de sapatos para o verão, para o sambão, aí sim sua crença!
Um para cada estação, para toda a atenção, e dançava.
Era preocupada de nada.

Não queria filhos, não queria casa. Vivia dos outros, e quantos outros viviam por ela!
Amava café, café amargo. Prazer pra pouca gente.
Não a faltava nada.
E os outros respondiam:
-amar, Ga.
-amar - Ga mente.

Infeliz e não sabia, cheia de nada, vazia de tudo.
Íam e vinham muitos, ela sempre ficava.
Pra ficar perto de todos, dançava.
E a música tocava lentamente:
-amar, Ga.
-amar- Ga mente.

2 comentários:

lucas panoni oliveira. disse...

estranho explicar o que eu senti ao ler isto. não queria dizer somente "oh, que texto legal!", mas achei muito criativo esse negócio de Ga não amar.

sarah disse...

lá, parebéns arrasou.
aushuahsuhauhsuahs.
amei. :)